O inimigo tem um nome

Se você não consegue nomear seu inimigo, como poderá derrotá-lo? Da mesma maneira que um médico tem que identificar uma doença antes de curar um paciente, um estrategista tem que identificar o inimigo antes de ganhar uma guerra. No entanto os ocidentais têm se mostrado relutantes em identificar o oponente no conflito em que o governo norte-americano de modo variado (e eufemicamente) chama de a “guerra global contra o terror”, a “guerra longa”, a “luta global contra o extremismo violento”, ou até mesmo de a “luta global pela segurança e pelo progresso”.

Esta timidez traduz uma inabilidade para definir metas de guerra. Duas afirmações recentes, em 2001, do alto escalão norte-americano tipificam as declarações vagas e ineficazes emitidas pelos governos Ocidentais. O Secretário de Defesa Donald Rumsfeld definiu vitória como estabelecendo “um ambiente onde nós possamos de fato satisfazer e viver [nossas] liberdades”. Em contraste, George W. Bush anunciou um objetivo mais limitado ainda, “a derrota da rede global de terror” - seja lá o que possa ser esta rede indefinida.

“Derrotar o terrorismo” permaneceu de fato o objetivo básico de guerra. Implicando que, os terroristas são os inimigos e o contraterrorismo é a principal resposta.

Mas os observadores cada vez mais estão concluindo que este terrorismo é apenas uma tática, não um inimigo. Bush efetivamente admitiu isto em meados de 2004, reconhecendo que “Nós de fato demos o nome errado a guerra contra o terror”. Ao invés, ele chamou a guerra de uma “luta contra extremistas ideológicos que não acreditam em sociedades livres e que usam o terror como arma para tentar estremecer a consciência do mundo livre”.

Um ano depois, como consequência das bombas nos transportes de Londres em 7/7, o Primeiro-Ministro Britânico Tony Blair avançou na discussão falando do inimigo como “uma ideologia religiosa, uma distorção dentro da religião do Islã espalhada pelo mundo inteiro”. em seguida, o próprio Bush usou os termos “radicalismo Islâmico”, “Jihadismo militante”, e “Islamo-fascismo”. Mas estas palavras incitaram muitas críticas e ele retrocedeu.

Em meados de 2007, Bush tinha voltado a falar sobre “a grande luta contra o extremismo que agora está exaurindo todo o Oriente Médio”. É neste ponto em que as coisas estão agora, com as agências do governo norte-americano aconselhadas a se referir ao inimigo com termos nebulosos tais como “culto da morte”, “tipo de culto”, “culto sectário”, e “violentos cultistas”.

Na realidade, este inimigo tem um nome preciso e conciso: Islamismo, uma versão radical e utópica do Islã. Os partidários Islâmicos desta bem fundada e difundida, ideologia totalitária, estão tentando criar uma ordem Islâmica global para aplicar completamente a lei Islâmica (Shari’a).

Assim definido, a resposta necessária fica clara. Duplamente: reprimir o Islamismo e ajudar os Muçulmanos a desenvolverem uma forma alternativa de Islã. Não coincidentemente, esta abordagem compara o que os poderes aliados realizaram anteriormente com os dois movimentos utópicos radicais, fascismo e comunismo.

Primeiro vem o fardo de derrotar um inimigo ideológico. Como em 1945 e 1991, a meta deve ser marginalizar e debilitar um movimento ideológico aderente e agressivo, de forma que ele não atraia mais seguidores nem represente uma ameaça para o mundo. A Segunda Guerra Mundial, ganha com sangue, força, e bombas atômicas, oferece um modelo para a vitória, a Guerra Fria, com suas intimidações, complexidades, e quase colapso pacífico, oferece outro totalmente diferente.

A vitória contra o Islamismo presumivelmente utilizará estes legados e os misturará em uma trama moderna de guerra convencional, contraterrorismo, contrapropaganda, e muitas outras estratégias. Se por um lado, o esforço de guerra conduziu à derrota do governo do Talibã no Afeganistão; por outro lado, é preciso repelir os Islamitas legais que trabalham legitimamente na arena educacional, religiosa, mídia, sistema legal, e político.

A segunda meta envolve ajudar os Muçulmanos que se opõem às metas dos Islamitas e que desejam oferecer uma alternativa às perversões do Islamismo reconciliando o Islã com o melhor dos caminhos modernos. Mas tais Muçulmanos estão fracos, constituindo-se apenas rupturas individuais que só começaram o duro trabalho de pesquisa, comunicação, organização, financiamento, e mobilização.

Para fazer tudo isso mais rápida e efetivamente, estes moderados necessitam o encorajamento e o patrocínio dos não Muçulmanos. Porém sem a eficácia que eles podem ter no momento, moderados, com apoio Ocidental, possuem o potencial para modernizar o Islã, e assim terminar a ameaça do Islamismo.

Numa análise final, o Islamismo apresenta dois principais desafios aos Ocidentais: Falar com franqueza e ansiar a vitória. Nenhum dos dois vêm naturalmente à pessoa moderna que tende a preferir o politicamente correto e a resolução de conflitos ou até mesmo o apaziguamento. Mas uma vez que estas barreiras são superadas, objetivamente a fraqueza do inimigo Islâmico em termos de arsenal, economia, e de recursos significa que ele pode ser rapidamente derrotado.

Daniel Pipes (www.DanielPipes.org).

Tradução: Ivan Kelner

PM: A Era da Aliá em massa está no fim

Israel tem que “mudar o paradigma” de sua relação com a Diáspora, disse o Primeiro-Ministro Ehud Olmert no domingo, declarando que “a era da aliá em massa de países em situação difícil ou perigosa pode ter chegado a um fim”.

“Embora existam Ilhas de renascimento judaico e criatividade em muitos centros judaicos ao redor do mundo”, os judeus como coletividade estão em crise, disse o Primeiro-Ministro na sessão de abertura da reunião do conselho de diretores da Agência Judaica em Jerusalém. Ele citou números que mostram o declínio da conexão dos jovens americanos para com Israel, assimilação mais alta e de casamentos mistos por todo mundo judaico.

“Agora, pela primeira vez desde a destruição do Segundo Templo, Israel tem a maior concentração de judeus no mundo e a esmagadora maioria de judeus vivendo em segurança. A era da aliá em massa de países em situação difícil ou perigosa pode ter chegado a um fim”, declarou Olmert.

“Com novas realidades vem a necessidade de um novo paradigma”, continuou o Primeiro-Ministro. O velho paradigma de “Diáspora como benfeitor e Israel como beneficiário já não continuará”, ele garantiu. “Por 60 anos Israel foi o projeto do povo Judeu, nos próximos 60 anos o povo Judeu precisará ser o projeto em comum de Israel com o povo Judeu.”

Olmert mencionou programas tais como Taglit, Masa, o Heftsiba day schools da ex União Soviética, Morasha, entre outros programas de Israel para a diáspora nos quais o governo tem investido pesadamente. “Todas estas intervenções têm sido ocasionais e não sistemáticas”, disse o Primeiro-Ministro, prometendo que “no 60º ano de Israel chegou o tempo de mudar significativamente o paradigma”. O primeiro ministro prometeu que haverá “recursos” direcionados para novas iniciativas.

O comitê de coordenação da Agência Judaica e o governo se encontrarão na segunda-feira (23 de junho) onde esperam designar uma força-tarefa que apresentará recomendações específicas em novembro em Jerusalém na reunião entre o conselho de diretores da Agência Judaica e a Assembléia Geral das Comunidades Judaicas Unidas.

Os comentários do primeiro-ministro surgem depois de muitos meses de discussão entre o governo e a Agência Judaica. De acordo com o secretário de gabinete Ovad Yehezkel, falando no mês passado ao Jerusalem Post, a nova relação marcaria uma política Israeli mais “humilde” com respeito a Diáspora Judaica.

Judaísmo

Ariel Sharon, o ex-primeiro-ministro que se encontra em estado de coma há dois anos, continua suscitando nostalgia entre os israelenses, apesar de sua herança política estar envolta em polêmica.

Desde que foi hospitalizado em 4 de janeiro de 2006, seis semanas depois de ter sofrido um primeiro derrame, Sharon, apelidado de “Buldôzer”, continua em condição “estacionária”, segundo seus médicos. General da reserva de 79 anos, ele encontra hospitalizado em Tel Aviv, longe do cenário político. Seus dois filhos e seus parentes mais próximos continuam acompanhando seu estado.

Alimentado mediante uma sonda e com uma atividade cerebral muito limitada, o ex-primeiro-ministro reage periodicamente quando ouve a voz de seus entes queridos.

“Ele não está em coma profundo e reage a alguns estímulos”, informa o centro médico Sheba do hospital Tel Hashomer em um comunicado. Raanan Gissin, um de seus colaboradores mais próximos e porta-voz, acha que Sharon ainda pode sair de coma, apesar de classificar de utópico sua volta à vida política. Para alguns a doença de Sharon deixou um vazio político ainda não preenchido. As conseqüências de sua decisão de retirar o exército e os colonos israelenses da Faixa de Gaza em 2005 continuam sendo sentidas na região.

Ehud Olmert, seu sucessor à frente do Governo e do Kadima, o partido centrista que havia criado, não conseguiu sua notoriedade e conta com um índice de popularidade muito baixo nas pesquisas.
“Para os israelenses, falta um dirigente que não atue apenas por necessidade política. Sharon fazia as coisas com a sensação de cumprir uma missão. Assumia suas responsabilidades e agia”, enfatiza um analista político. Raanan Gissin recorda que Sharon nem sempre era popular, mas, quando explodia uma crise, todo mundo sabia que podia contar com ele.

AFP

Shavua Tov.

Calendário Judaico 2008

Shavuot - 08, 09 e 10 de junho
Tishá BeAv - 10 de agosto
Véspera de Rosh Hashaná - 29 de setembro
Rosh Hashaná - 30 de setembro e 01 de outubro
Véspera de Iom Kipur - 08 de outubro
Iom Kipur - 09 de outubro
Véspera de Sucot - 13 de outubro
Sucot - 14 e 15 de outubro
Simchat Torá - 22 de outubro
Chanuká - 22 a 29 de dezembro

Notícias da Comunidade

“- Não é que eu tenha medo de morrer. É que não quero estar lá na hora em que isso acontecer”.

“- As pessoas boas dormem muito melhor à noite do que as pessoas más. Claro que, durante o dia, as pessoas más se divertem muito mais”.

“- Eu era muito jovem para ter um carro, então transava com as moças no banco de trás da minha bicicleta”.

“- Sua falta de educação era amplamente compensada por sua total desagregação moral”.

“- Ah, se Deus me desse ao menos algum sinal visível… como por exemplo um polpudo depósito em meu nome num banco da Suíça”. �

Notícias de Israel

Dicionário Iídiche – Inglês
http://www.yiddishdictionaryonline.com

Iídiche – Português (Babylon)
http://www.babylon.com/definition/yiddish/Portuguese

Músicas populares em Iídiche do século XX
http://www.kogunn.com/mp3/

Judeus querem levar Maradona ao Museu do Holocausto

A comunidade judaica argentina propôs levar o ex-astro do futebol Diego Armando Maradona ao Museu do Holocausto, em Buenos Aires. A intenção do convite é demonstrar ao ex-jogador a existência do genocídio realizado contra a população judaica européia pelo Terceiro Reich nazista durante a Segunda Guerra Mundial. O motivo da preocupação da comunidade judaica argentina - a maior da América Latina - são as declarações, feitas nos últimos dias por Maradona, sobre sua admiração ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, cujo governo nega a existência do Holocausto. Maradona também declarou que pretende visitar Teerã em breve.

“Estou, de todo coração com os iranianos”, disse, após receber o convite para viajar ao Irã. O intermediário foi o piqueteiro Luis D’Elia - que controla mais de 70 mil militantes do presidente venezuelano, Hugo Chávez, na Argentina - que declarou que as lideranças judaica argentinas são “fascistas”. O presidente da associação beneficente judaica AMIA, Aldo Donzis afirmou que a Justiça argentina “demonstrou grandes suspeitas em relação a lideranças iranianas envolvidas no atentado realizado contra a AMIA” em 1994.

No atentado, supostamente realizado pelo grupo terrorista Hizbollah por ordens do Irã, morreram 85 pessoas. Outras 300 foram feridas e mutiladas. O Centro Wiesenthal também protestou contra as declarações de Maradona. Segundo o diretor de relações internacionais da entidade, Shimon Samuels, o ex-jogador, “com o falso pretexto do antiimperialismo” está “ansioso por reunir-se com um inimigo dos direitos humanos no Irã”.

Segundo Samuels, “Maradona deveria aproveitar sua visita ao Irã para exigir que o governo iraniano esclareça o atentado contra a AMIA”. O ex-astro do futebol argentino é um tradicional crítico dos Estados Unidos e do governo do presidente George W. Bush. Na Cúpula das Américas, realizada no balneário de Mar del Plata em 2005, o ex-jogador liderou uma marcha contra o presidente americano, que estava na cidade para pressionar a favor da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Maradona possui uma tatuagem do líder guerrilheiro Ernesto “Che Guevara” no braço direito e outra com a efígie do presidente cubano Fidel Castro na panturrilha esquerda.

Há duas semanas declarou que pretende acrescentar - em uma parte ainda não definida do corpo - uma tatuagem em homenagem a Chávez. Desde que tornou-se amigo de Chávez, em 2007, Maradona - simultaneamente - transformou-se em um forte defensor do governo de Ahmadinejad. A polêmica coincide com as ameaças de Ahmadinejad de processar o Estado argentino na Justiça internacional por suas acusações sobre o envolvimento do Irã no atentado contra a AMIA. Além disso, a Justiça argentina pediu a captura internacional de diversas lideranças iranianas.

Fonte: Agência Estado

Após 28 anos, Nicarágua volta a ter uma Torá

Após 28 anos sem um Sêfer (livro) Torá, em 16 de dezembro de 2007, os judeus nicaragüenses receberam com alegria, uma nova Torá em uma cerimônia que ajudou a reviver o espírito judaico neste país da América Central. A nova Torá foi usada pela primeira vez, durante a celebração de um Bar Mitzvá, e contou com a participação de 25 pessoas, incluindo um rabino vindo de Costa Rica. Durante a década de 70, muitos judeus abandonaram o país, retornando em 1990, com o novo Governo. Entretanto, decidiram que sua Torá permaneceria na Costa Rica até que pudesse ser construído um espaço adequado para abrigá-la. Ainda sem uma sinagoga ou centro comunitário para receber os aproximadamente 60 judeus que vivem no país, a cerimônia aconteceu na casa do fiel, a quem a senhora Chana Sorhagen, uma americana de 90 anos, que nunca visitou a Nicarágua, mas que sensibilizada com a situação da comunidade, resolveu doar a Torá. A senhora Sorhagen, comovida com toda essa história, manifestou ainda, interesse pela construção de um local para abrigar não somente os rolos sagrados, mas também, desenvolver atividades comunitárias e religiosas. (Fonte:CJL)

Fonte: CONIB

Israel e palestinos negociarão em três níveis, informa jornal “Ha’aretz”

As negociações de paz que israelenses e palestinos retomaram em dezembro incluirão os assuntos essenciais a partir de um princípio, e serão realizadas em três foros ou níveis, informa neste domingo (06) o jornal “Ha’aretz”.

Os assuntos de fundo, ou seja, a criação de um Estado palestino e a fixação de suas fronteiras com Israel, a determinação da soberania política em Jerusalém e o retorno dos refugiados palestinos da primeira guerra árabe-israelense de 1948 serão negociados por um comitê especial.
Outro dos temas cruciais será o desmantelamento de assentamentos judaicos da Cisjordânia começando pelos enclaves “ilegais” construídos por colonos do setor extremista em colinas palestinas sem a permissão do Governo israelense.

No primeiro nível, indica o periódico de Tel Aviv, estarão o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que serão os árbitros de última instância nos casos de conflito.

O segundo comitê, encarregado de analisar os problemas de fundo mencionados, estará a cargo do chefe da equipe de negociadores da ANP, Ahmed Qorei, ex-primeiro-ministro de Yasser Arafat, e da ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni.

O terceiro nível das negociações será o dos subcomitês que abordarão a distribuição de recursos hídricos, assuntos de segurança, economia e comunicações, entre outros. Segundo o “Ha’aretz”, Livni e Qorei obtiveram um progresso “significativo” durante uma série de reuniões que não chamaram a atenção da imprensa. Um exemplo foi o acordo para negociar nesses três níveis.

Uma fonte governamental, que o jornal não identifica, expressou que com esse formato “será possível negociar sem pressões, nem políticas nem devido a vazamentos à imprensa, e estaremos em capacidade de conseguir mais progressos”.

O acordo aconteceu às vésperas da visita à região do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que chegará a Jerusalém na quarta-feira, apesar da escalada das hostilidades entre o Exército israelense e os milicianos palestinos de Gaza sob controle do Movimento Islâmico Hamas.

EFE

“Mais Sagrado, Menos Segredo”

Revista Época – Ed 501 (21/12/2007)

Com o recém-lançado O Sagrado, o rabino Nilton Bonder bate de frente com os conselhos miraculosos da auto-ajuda e diz que encontrar “o segredo” ou qualquer outra mágica para a vida não dá conta das angústias. Para ele, o que vale é a Lei da Tração em vez da Lei da Atração. E saber que não, você não é especial. Leia a entrevista

Laila Abou Mahmoud

Formado em engenharia mecânica pela Universidade de Columbia e doutor em literatura hebraica pelo Jewish Theological Seminary, Nilton Bonder é rabino e escritor prolífico. Autor de dezesseis livros, entre eles A Alma Imoral, que foi sucesso de público em sua adaptação ao teatro, em peça estrelada por Clarice Niskier. Nessa, ele propunha discussões sobre traição, pecado e dinheiro de forma provocadora.

Agora, em O Sagrado, Bonder bate de frente com as fórmulas fáceis da auto-ajuda e rebate conceitos popularizados em um dos maiores sucessos recentes do gênero, o livro O Segredo. A “Lei de Atração” de O Segredo vira “Lei de Tração” e o lema “seja especial” vira “saiba que você não é especial”. Não querer acumular cada vez mais, ter menos desejos e se sentir parte de um projeto maior são outras das principais diretrizes que sugere em seu livro.

ÉPOCA conversou com esse rabino que não tem medo de ser popular - ele celebrou neste ano o casamento ecumênico de Carolina Dieckmann com o diretor de teatro Thiago Worckman - nem de ultrapassar os terrenos de uma sinagoga.

ÉPOCA - Onde está o “segredo” da vida?

Nilton Bonder - O segredo é a chave mágica que as pessoas querem para dar conta de suas angústias e desafios. É uma fantasia que poderia até ser lúdica, como um conto de fadas para adultos. O preocupante - e a razão de ter escrito este livro - é que a magia e a mágica no mundo infantil podem ser misturadas. No mundo adulto, no entanto, misturá-las é um problema. O que para um estimula a imaginação, para o outro pode ser um fetiche, um truque para não viver a sua vida.

ÉPOCA - Procurar um “segredo” é uma fonte de problemas para a vida?
Bonder - Se o segredo for a chave para contemplar o meu desejo infantil, de consumo imediato, sim. Porque ele pode estar reforçando a mesma causa de tantas de nossas angústias e vazios. O bem-estar não é o resultado do atendimento de minhas vontades diante de um universo que funciona como um gênio da lâmpada. O bem-estar é fruto de se estar no lugar certo, na condição certa em relação a nossa vida. A formiga tem bem estar quando é formiga, o cavalo tem bem estar quando é cavalo. O ser humano tem que buscar bem-estar em ser a si mesmo.

ÉPOCA - E o “segredo do segredo”?
Bonder - Vivemos num mundo de grande competitividade e solidão e as pessoas estão ávidas por encontrar um sentido em suas vidas que as tornem relevantes entre bilhões de criaturas num universo de dimensões telescópicas. Daí o sucesso de livros que basicamente dizem que você é especial e que o universo está a seu serviço. O “segredo do segredo” é que você é especial, mas não porque o universo está a seu serviço. Ao contrário: é porque você está a serviço do universo. Essa inversão faz toda a diferença, mesmo que a proposta inicial seja a mesma.

ÉPOCA - Como é possível atingir esse “segredo do segredo”?
Bonder - Eu uso esta expressão “segredo do segredo” como uma metáfora. Não estou propondo um outro segredo (o meu). Há um conhecimento milenar que trafega entre Oriente e Ocidente, nos mais diferentes temperos e matizes, e que nos auxilia na percepção mais fidedigna da realidade, distante de nossas ilusões e delírios. Mas ela não é uma mágica, um manual de como fazer. Ela nos inicia à magia deste universo e nos aponta caminhos. O caminho certamente não é o de que o universo conspira para mim, o epicentro da realidade; mas, ao contrário, eu é que conspiro para o universo. É quando estou neste lugar e me sinto bem e usufruo de bem-estar e bem-ser.

ÉPOCA - O senhor acredita que as religiões fazem parte dessa busca pelo bem-viver?

Bonder - A espiritualidade é uma condição humana. Buscar formas de celebrar e ritualizar a vida nos ajudam a perceber que somos parte de um projeto, de que não somos o fim, mas um meio. Deus, o Criador e Mantenedor do universo, tem como função maior desbancar o meu ego do centro da realidade. Por isso, Deus na medida correta (não uma idolatria, onde o meu Deus simplesmente é o meu ego dissimulado de crença em mim mesmo) é saudável e próximo da realidade. Digo próximo porque todos tendemos a distorcer o que seria Deus, por conta de nosso ego. Mas se a espiritualidade vira um produto, o que muitas vezes as religiões fazem, tal como “O Segredo”, querendo vender privilégios neste ou noutro mundo, perde por completo este potencial sagrado.

ÉPOCA - O senhor afirma que a capacidade de auto-engano do ser humano é espantosa. O que o senhor acha sobre a literatura de auto-ajuda, de uma forma geral?

Bonder - Muito da auto-ajuda é baseada no auto-engano. Vende. Mas isso não quer dizer que o esforço milenar do ser humano, de tribos e tradições, para ensinar seus descendentes sobre o sagrado da vida não seja importante. Eu me dedico a esses ensinamentos e eles são profundamente belos. Eles não resolvem ou servem como um manual de como ser feliz e como dar certo. Quando declaramos que o objetivo não é ficar “mais”, mas ser parte, as coisas mudam de eixo e qualidade. Tudo que promete no título tem grande chance de fazer parte do mercado de auto-engano.

ÉPOCA - Os livros de auto-ajuda ensinam regras para ser feliz e bem-sucedido. Contudo, a religião também estabelece regras. Onde estaria a diferença entre os sistemas de regras da auto-ajuda e da religião?
Bonder - Como disse, dependendo da maneira como a religião apresenta sua mensagem, ela não se diferencia em nada. Mas há uma diferença quando as práticas não são de suborno: eu faço isso e ganho aquilo. A verdadeira tradição é aquela que leva à humildade, a encontrar seu lugar, seu cantinho do universo. Não precisa ser com vista para o mar, mas o meu cantinho que me é próprio. Deste lugar que é meu, sou grande, sou especial, porque faço parte de um projeto fantástico que não está baseado na minha biografia, mas no meu pertencimento à vida, à Arvore da Vida.

ÉPOCA - O senhor é autor de 16 livros, parte deles best-sellers. O senhor não tem receio de também ser considerado um escritor de auto-ajuda?
Bonder - Meus livros são uma extensão de meu trabalho como rabino. Estou constantemente falando para as pessoas, pregando. Mas para não me perder achando que sou fonte de qualquer sabedoria, falo sempre para mim. As pessoas às vezes me dizem, quando falo algo que as toca, que eu fiz isso para elas. Não, não fiz. Fiz para mim. O dedo em riste é sempre para mim. Quanto mais verdadeira for a percepção de minhas limitações e dificuldades, mais real será o que digo. Sim, meu lugar é bastante estranho. Mas como não falo do lugar do saber, e sim de um lugar do viver, e como uso de uma tradição de sagrado, me percebo íntegro. E aí está tudo bem.

ÉPOCA - O que o senhor acha da “Lei de Atração”, popularizada em livros como “O segredo”? Em que ela difere da “Lei da Tração”, que o senhor propõe no livro?
Bonder - No livro digo que há uma lei da Tração, e não da Atração. Para o livro O Segredo, você pode pedir ao universo que ele lhe atenderá. Portanto, você pode atrair tudo. O que há na realidade é o desejo humano de tração, de arrastar tudo para si. Esse é o caminho contrário do sagrado, que é feito de servir, e não de controlar.

ÉPOCA - O senhor fala em modificar o mundo e se aproximar da magia sem recorrer à mágica. De que forma isso é possível?
Bonder - Aí é que entra o sagrado. Sagrado é o caminho que nos leva a querer ser parte. O sagrado acontece em comunidade, em pertencimento. O sagrado acontece nas raízes, sejam ancestrais ou de descendentes. O sagrado acontece na comunhão com a natureza e com o tempo. Nestes caminhos há a descoberta de algo muito especial em mim, mas que não é pessoal, que não é o meu ego. Estamos diante de um maravilhamento radical, totalmente mágico sem ter que recorrer a mágicas e truques. Esta em nós, como diz o texto bíblico: nem além mar, nem nas alturas, mas aqui bem perto, no próprio ser.

ÉPOCA - O senhor afirma também que é preciso ter menos desejos. Por quê? Eles não podem ser positivos?
Bonder - Desejo é tudo de bom, é como a fragrância de uma flor ou o gosto de um fruto. Mas o desejo é um artifício da vida para cumprir uma função que não é o próprio desejo. Não estamos aqui para saciar desejos por cem anos e morrer. Essa construção de nossa civilização nos leva a um beco sem saída. A vida é boa e vão tirá-la de nós. A juventude é prazerosa e irão roubá-la de nós. O “ser” na condição humana, na qual temos a faculdade da consciência, é a administração desses desejos para que eles cumpram sua função. Não para que nós sejamos uma função dele. Sexo é uma manifestação sagrada da vida, mas se eu persigo o sexo como um segredo para dar conta de ansiedades e temores, para resolver minha existência, facilmente ele se tornará pornografia. Todos nós do século XXI conhecemos isso. E todos que já viveram conheceram isso. Faça do seu desejo um produto, algo que você persegue de forma utilitária, para obter controle sobre satisfação e sofrimento, e o sagrado se fará pior do que profano e mesmo o mais belo e singelo se fará sujo e perverso.

ÉPOCA - O senhor conta a experiência do desconcerto quando foi chamado por um colega rabino de “o melhor judeu do Brasil”. As pessoas, na sua concepção, não deveriam tentar ser as melhores no que fazem? O que pode ter de errado em querer ser “o melhor” ou ser “especial”?
Bonder - O melhor é uma miragem. Parece que só existe lugar para um. Há melhores e primeiros que não se sentem felizes e décimos quintos ou milionésimos que vivem em serenidade. A integridade é que deveria nos levar a fazer tudo com qualidade, com a maior qualidade possível. Mas isso é feito porque não existe razão de não fazer desta maneira. A natureza se esmera em fazer o melhor, mas não para subir no pódio e se ver em comparação ao outro. Acho que o melhor é uma forma de controlar a morte, a finitude. Se sou melhor que o outro ou que todos, talvez eu me faça entre os humanos um deus. A intenção modifica totalmente a qualidade de uma conduta. Ser especial por integridade é sagrado, ser especial como forma superlativa é um segredo.

ÉPOCA - O senhor afirma que não há nada pior que perder seu Deus. Não há como manter a esperança e a crença em valores bons e éticos mesmo fora de um sistema religioso específico?
Bonder - Perder Deus para mim não tem a ver com religião. Perder Deus é perder uma conversa interna. Deus é uma referência interna distinta do meu eu. É o contraponto, a crítica, o olhar sobre mim mesmo que a consciência me permite. Esse Deus em mim, imanente, em algum lugar se conecta com o Deus epicentro da realidade total. Perder Deus é sucumbir a si como o centro de tudo, de que somos nós mesmo o projeto. Aí nossos dons, nossa sensibilidade e nossas faculdades se tornam distorcidas. E a lucidez da consciência se faz uma miragem. A realidade se reflete em tantos espelhos que passamos a viver de reflexos. E nada mais triste do que alguém que é um reflexo.

ÉPOCA - O que o senhor acha desse fenômeno de livros como o de Christopher Hitchens (Deus não é Grande), que pregam a inexistência de Deus?
Bonder - O sagrado pode ser profanado, não há dúvida. Deus pode e foi usado para as maiores aberrações e crueldades. Mas quem não é grande sou eu e o Christopher. O ser humano não é grande. E isso não é um problema. Só é um problema para quem quer ser grande. O ser humano, dos primeiros capítulos de Gênesis até hoje, tem em si o conflito entre a Árvore da Sabedoria e a Árvore da Vida. O saber não dá conta da vida. Faz ver a vida, distinguir a vida. Deve ser usado para o maravilhamento e não para o controle. Maravilhar-se é sagrado, controlar é o segredo.

ÉPOCA - O que lhe permite fazer projetos é se sentir parte de um projeto maior, o senhor diz em seu livro. Perdemos essa dimensão, que o senhor chama “transpessoal”?

Bonder - Sim, perdemos muito da vida comunitária. O individualismo tem suas recompensas, mas não somos indivíduos. Somos parte de uma espécie e esta, parte de um projeto da vida. Podemos nos vestir de doutor, cobrir nossa pele com terno e gravata para esconder o primata em nós. Mas não dá para viver a vida sem estar nessa pele. Então, não somos tão pessoais quanto achamos que somos. Parte da solidão da vida moderna é que vemos a vida como minha. Sou eu que vivo a minha vida, e quando eu morrer, sou eu que morro. Mas essa não é a realidade em si. A vida é vivida através de mim e, quando eu morro, cumpri uma função em vida que está para além de minha pessoa. Sem entender isso, sem fazer disso parte de nossa existência, o caminho é de confusão e desesperança.

ÉPOCA - Como resgatar essa dimensão transpessoal?
Bonder - Acho que temos que reencontrar caminhos ao sagrado. Fazer sem buscar recompensas, estudar sem querer sapiência, existir sem ser só para mim mesmo, mas sem esquecer de viver por mim, estes são os caminhos.

Olhos
O segredo do segredo é que você é especial, mas não porque o universo está a seu serviço. Ao contrário: é porque você está a serviço do universo. Essa inversão faz toda a diferença mesmo que a proposta inicial seja a mesma.

O sagrado pode ser profanado, não há dúvida. Deus pode e foi usado para as maiores aberrações e crueldades. Mas quem não é grande sou eu e o Christopher (Hitchens).
Neste mundo saturado de produtos, talvez alguém que não consuma seja um ser mais elevado. Esse consumo tem impactos graves na perda de nosso sagrado.

Para matar a saudade


Kvutza do Hashomer Hatzair Recife:
Agachados da esquerda para a direita:
 Isidoro Coifman (madrich) z’l, Fernando Schver, Salmen Giski, ?
Em pé segundo da esquerda para direita:
 Jaime Coifman, Israel Vainsencher e Israel Charifker z’l.

Parabéns aos aniversariantes de Janeiro

1/1 – Mauricio Gandelsman - 4/1 – Sula Choze, Renata Guedanken - 5/1 – Bruno Rapp Botler, Luiz Steinberg, Paulo Rosenblatt, Geni Katz, Franklin Azoubel – 6/1 – Fábio Azoubel - 7/1 – Mirela Sitcovsky, Shulamit Lederman – 8/1 – Jader Tachlitsky - 9/1 – Dinah Scherb - 10/1 – Lisa Olga Schvartz - 11/1 – Juliana Azoubel - 14/1 – Bruna Sitcovsky, Leila Zaverucha - 15/1 – Paula Margolis Severien, José Rushansky, Mira Steinberg - 19/1 – Iana Ludmer - 21/1 – Guilherme Azoubel, Nathan Lederman, Mariana Parnes - 24/1 – Karen Schnaider, Jaime Rosenfeld, Ana Claudia Prutchansky - 25/1 – Jacó Stambovsky - 26/1 – Léa Kelner - 28/1 – Luisa Lustosa Landen - 29/1 – Arahão Kerzner, Jair Kitner - 30/1 – Roberto Selim, José Schvartz.  

Para registrar aniversários, e-mail: fipeonline@fipeonline.com.br